Retrospectiva 2020: as lições que aprendemos - HM em Revista
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A pandemia alterou uma conhecida frase bíblica para: “e conhecereis a vacina e a vacina vos libertará”. Ainda não há doses suficientes para todos e a sociedade dá mostras de esgotamento. Motivos não faltam: lockdowns, pouca empatia, e, principalmente, milhares de mortes. A doença se aproxima cada vez mais de todos nós e deixa marcas profundas. No segmento da Beleza, é verdade, a maioria concorda com o lema do “aglomerou, adoeceu”. Por isso, os cuidados necessários – máscaras, álcool em gel e distanciamento – se transformaram em práticas corriqueiras. Mas o futuro deve, sim, ser visto pelo retrovisor. HM faz uma retrospectiva de 2020, elencando os principais fatos, na expectativa de que a reinvenção de todos frutifique nos próximos doze meses

Caio Camargo (@camarcamargo)

 

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O primeiro impacto: a chegada do vírus

Mal começava o ano e já se anunciava uma doença ainda misteriosa (a agora mais do que conhecida e temida COVID-19), provocada por um vírus igualmente desconhecido (o nomeado coronavírus), com foco na China. O que parecia ser algo similar às já conhecidas ondas gripais, se tornou algo inesperado e a OMS – Organização Mundial de Saúde – se viu obrigada a declarar um estado pandêmico. O diretor-geral Tedros Adhanon disse, em uma sombria quarta-feira de março, dia 11, que estávamos diante da pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2): “Os países devem adotar uma abordagem envolvendo todo o governo e toda a sociedade, construída em torno de uma estratégia integral e combinada para prevenir infecções, salvar vidas e minimizar o impacto”. Segundo o órgão, o número de pacientes infectados, de mortes e de países atingidos deveria aumentar nos próximos dias e semanas. O que se viu nos meses que se seguiram foi uma onda de contaminação incontrolável em todo o globo – assim como o crescente avanço de mortes, a criação de novos protocolos de segurança em saúde e a busca por vacinas.

 

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A plataforma digital

A globalização já era uma realidade. Idem para o crescimento do mundo virtual – em especial das redes sociais e dos aplicativos de mensagens. Mas, com os lockdowns, distanciamento social e quarentenas de diversas bandeiras, “Zoom” passou a ser uma palavra tão corriqueira quanto café. Qual a relação entre as duas? É que os encontros presenciais para um cafezinho, reuniões e afins foram substituídos por salas virtuais, com tecnologia capaz de colocar online um número ilimitado de pessoas, independentemente da localização de cada uma delas. Por conta desta mesma tecnologia conquistada, os teleatendimentos de saúde e de beleza ganharam muitos adeptos e foram uma ponte importante na relação profissional – paciente/cliente. Eric Yuan, fundador e CEO da plataforma, criou o Zoom em 2011, quando era engenheiro-líder da Cisco Systems e, em pouco tempo, o serviço já era sucesso. Atualmente, o Zoom é uma das soluções remotas mais populares em diversos países, reconhecida por ser fácil, confiável e acessível. Não à toa, durante a pandemia teve suas ações valorizadas em mais de 700%. Este crescimento vertiginoso ocorreu em decorrência da expansão da necessidade de uma solução para reuniões à distância, apresentações, aulas e encontros.

 

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O home office

Como dizem os especialistas, um evento desta magnitude – leia-se pandemia – não muda exatamente o status quo e sim acelera o que já estava em andamento e/ou o que reinava apenas no terreno das ideias. Há alguns anos, empresas “namoravam” a questão de deixar seus empregados (chamados de colaboradores) mais soltos em relação a horários e presença física nos escritórios. Sextas-feiras livres já eram uma realidade – assim como trabalho de casa ou horário reduzido. Com as regras de distanciamento e os lockdowns, as pessoas passaram a trabalhar em casa não só um, mas vários (ou todos) dias da semana utilizando, inclusive, as plataformas digitais para uma comunicação integrada (como o Zoom citado no item 2).  A prática regular levou empresários a repensarem suas organizações físicas e a relação patrão-empregado; até hoje e assim será, muitos optaram por essas novas relações de trabalho. No Brasil, 70% dos profissionais ouvidos por uma pesquisa da Universidade de São Paulo gostariam de passar ao menos parte do tempo trabalhando a partir de casa. Esse modelo pode ser vantajoso para as empresas, que reduzem custos fixos nos escritórios e ainda garantem autonomia e eficiência aos colaboradores.

 

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Os protocolos de saúde

A área de beleza em geral já tinha padrões elevados de higienização. Porém, com a contaminação rápida e crescente, novos protocolos foram incorporados aos já executados; e muitos conhecidos ganharam mais força e importância, como o simples fato de lavar muito e corretamente as mãos. Também não ficaram de fora uso de máscara cobrindo nariz e boca, de luvas descartáveis a cada procedimento e/ou atendimento, higienização de local após atendimento de cliente, espaçamento de 2 metros entre um cliente e outro para serviços, uso de face shield pelos profissionais (além da máscara), nenhum contato físico de proximidade como abraços e beijos, entre tantos outros. Salões de beleza adotaram todos os novos protocolos e até remodelaram espaços de atendimento com opções de ambientes ao ar livre e redução de cadeiras.

 

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A virada da indústria

Embora seja inegável a retração dos ganhos e o impacto disso no business plan das empresas – assim como a triste realidade de dispensa de funcionários e/ou corte de salários, algumas delas conseguiram não só sobreviver ao caos econômico como cresceram. Cientes da necessidade de mudanças imediatas, dois fatores foram primordiais para quem se manteve firme e em ascensão neste período. O primeiro deles: abolir/encurtar trâmites de aprovação de ações – foram deixadas de lado incontáveis e morosas etapas de desenvolvimento de produtos e processos para uma otimização de “ok, vamos em frente”; em segundo lugar, linhas de produção foram adaptadas para novas demandas – fabricantes de cosméticos começaram a produzir álcool em gel. Criava-se, assim, um novo canal de produtos e vendas, acelerando tecnologias.

 

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Os três S

Gigantes da indústria calculam que aceleramos processos em até cinco anos nesses meses de pandemia. A digitalização se impôs no segmento. O especialista de negócios Mitch Joel chegou a fazer um trocadilho com o ambiente criado pela Covid-19. Ele batizou o atual momento como “A Grande Compressão”, uma referência à Grande Depressão dos anos 30, quando o insucesso financeiro provocou quebradeiras e mortes na economia mundial. Agora, a “Grande Compressão” nos obriga a sermos criativos, empáticos, focados. Os desafios se resumem a três S. Survive (sobreviver), Stand (manter) e Strive (esforço para retomarmos o crescimento).

 

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Os eventos online

Pesquisa do SEBRAE, órgão que esteve o tempo todo ao lado do profissional de beleza durante 2020, mostrou que quase 100% (98%) do setor de eventos já estava parado no mês de abril. Feiras e eventos, aulas, apresentações, nacionais e internacionais cancelaram as datas previstas – alguns já definiram as novas para este ano e outros seguem aguardando a evolução do vírus e da vacina para uma nova divulgação. Os profissionais – e são muitos – do ramo se viram obrigados a uma reinvenção já que a medida protetiva que impedia aglomerações afetou todo tipo de evento. Por conta disso, os produtores buscaram a tecnologia e transformaram o presencial em digital. As lives se transformaram em um importante canal de conhecimento. Aproximaram os profissionais. Em certo sentido, serviram como estímulo. Esses encontros virtuais continuam a ser produzidos em número expressivo, mesmo com a retomada dos atendimentos nos salões. A beleza segue liderando tendências.

 

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A surpreendente solidariedade

O “me empurra que eu te puxo” foi uma grata surpresa em meio à inconstância econômica. Vimos empresas de pequeno, médio e grande portes fazerem doações, priorizando o álcool gel. Algumas fábricas foram adaptadas para produzir esse item essencial. Vale ressaltar a participação no mercado de Alfaparf, Boticário, Cless, Inoar, L’Oréal e Natura, entre outras. Foram atendidos médicos, enfermeiros e técnicos da Saúde, além das populações de baixa renda ou de alto risco.

 

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O e-commerce

Não houve uma área nesta pandemia que não tenha acelerado seu processo de entrar definitivamente no comércio online. Mais do que nunca, ter lojas virtuais – inseridas em sites de conteúdo da marca ou não, foram um conforto para empreendedores e para quem queria comprar sem sofrer os riscos de um contato físico. Associado a isso, os serviços de entrega aumentaram suas jornadas de trabalho e seu rol de funcionários, incentivando todo tipo de promoção conjunta para estimular a compra e a entrega rápida combinadas. O setor de alimentação foi, sem dúvidas o que mais floresceu, porém, não foi o único. Vestuário, eletrodomésticos e eletrônicos e, claro, beleza e bem-estar viram seu comércio digital ganhar impulso do dia para a noite.

 

 

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A resiliência das empresas para 2021

Os gastos com a pandemia ultrapassaram 600 bilhões de reais, em 2020. Agora, surge uma esperança com as vacinas. O mercado da beleza, de acordo com a ABIHPEC (Associação Brasileira de da Indústria de Higiene Pessoal e Cosméticos), que representa o setor, apesar de tudo, registrou um movimento positivo de quase 9%, em média. A expectativa é ampliar os resultados positivos no ano que começa. Nem por isso os desafios serão menores. As empresas do setor, além dos salões, demonstraram resiliência e agilidade. Se digitalizaram, criaram produtos e pacotes e, acima de tudo, mantiveram o relacionamento com os consumidores. Possivelmente, ainda viveremos nesses primeiros meses um período de restrições e liberações das atividades, com reflexos diretos nos negócios. Quem inovou e implantou novos canais e protocolos, tornando-se mais competitivo, pode experimentar crescimento. Para os demais ainda há tempo para trilharem outros caminhos ou mesmo modelos de negócios. O cenário ainda provoca incertezas. O controle da saúde ditará as regras de como o mercado e seu público irão responder. Temos antes que nos manter vivos, com máscaras, muito álcool em gel e rígido distanciamento social. De preferência com mais empatia e senso de responsabilidade.

 

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